terça-feira, 25 de março de 2025

PADRE SEVERINO GUEDES - MEMÓRIAS DO TEMPO EM QUE ESTEVE A FRENTE DA PARÓQUIA JESUS, MARIA E JOSÉ

PADRE SEVERINO GUEDES - MEMÓRIAS DO TEMPO EM QUE ESTEVE A FRENTE DA PARÓQUIA JESUS, MARIA E JOSÉ 

TEXTO ESCRITO POR OCASIÃO DOS SEUS 40 ANOS DE VIDA SACERDOTAL CELEBRADO NO DIA 20/03/2025

A princípio pensei em escrever um texto de cunho um tanto biográfico, pois estamos em festa, comemorando uma data significativa na vida de um grande servo de Deus. Confesso que minha veia de escritor me leva a transpor para o papel não datas, mas mesmo assim mencionarei, não nomes, mas mesmo assim mencionarei, sentimentos e altas doses de subjetividade, será com esses artifícios que homenagearei o Padre Severino Guedes, com quem tive o prazer de conviver durante longos 16 anos, com quem aprendi a dar os primeiros passos rumo ao fiel serviço junto a minha igreja.

Guardar momentos memoráveis em meu coração, é algo comum a minha humanidade. Lembro-me bem que o município de Guaiuba enfrentava uma certa turbulência, digamos assim, quanto a necessidade de um pastor para conduzir o rebanho de Cristo naquela pequena porção do Reino de Deus. Era comum os padres durarem pouco tempo em nossa paróquia e por diversas vezes a comunidade ficava desassistida espiritualmente. Na maioria das vezes a condução das atividades pastorais ficavam a cargo dos leigos que ali residiam, que com entusiasmo, sempre se uniam para fortalecer as raízes da fé em Cristo no meio do povo. Terezinha Assunção, Neguinha, Toto, Raimunda Paiva, Socorro Vieira, Seu Paulo Apolonio, Dona Expedita, Tezinha, Dona Nilsa, Fátima Ferreira, Dona Iolanda, Neide Lino, Sônia, Dona Margarida Tristão, Maria Maia, Dona Nenzinha, Fátima Frota, Ivoneide do Paulo Rossi, Dona Julia Pereira, dentre outros, mobilizavam a comunidade durante esses períodos atípicos – rezavam as novenas, zelavam a casa paroquial e as igrejas, organizavam os festejos em honra aos nossos padroeiros, celebravam a Palavra, dinamizavam os círculos bíblicos, catequizavam crianças, jovens e adultos.

E eis que no dia 09 de junho de 1985, Dom Aloisio Lonchaeider, arcebispo de Fortaleza na época, faz chegar ao nosso convívio o jovem padre Severino Guedes, natural de Pernambuco. De maneira simples é acolhido com alegria por toda a comunidade e no silencio do seu coração já vislumbrava o desafio que foi colocado sobre os seus ombros. Como os grandes líderes, a principio observa com atenção o seu campo de trabalho pastoral, para depois de algum tempo realizar grandes transformações na paróquia. A primeira preocupação foi o desejo de despertar naquele povo, sedento por um guia espiritual, o amor pela eucaristia. Uma de suas grandes iniciativas foi a de celebrar com jubilo o mês dedicado a Maria e dessa forma agregava todas as instituições da cidade nesse ato de fé – comerciantes, professores, diretores escolares, autoridades civis – e diariamente saiamos pelas ruas – eu ainda criança na companhia de minha tia Raimunda Paiva – a saudar com cânticos e orações nossa mãezinha do céu.

E as ações não pararam por aí, o zelo pela casa de Deus o consumia permanentemente, motivo pelo qual empreendeu diversas reformas e se pôs, com a ajuda da população, a construir templos religiosos nas comunidades onde o povo de Deus ainda se reuniam nos alpendres das casas para celebrar a Eucaristia. Não posso esquecer de mencionar a construção do Centro de Catequese e Pastorais Padre Severino Guedes – erguido com a supervisão do Padre Guedes e com o apoio de toda a comunidade – graças a diversas campanhas empreendidas. Toda a Sagrada Liturgia era celebrada com zelo. A semana santa e a tradicional caminhada penitencial – de Pacatuba a Guaiuba. A celebração de Pentencostes e de Corphus Cristhi. A coroação de Nossa Senhora. As festas do Santo Cruzeiro – que animava o mês de setembro. Os festejos em honra aos nossos padroeiros – Jesus, Maria e José. A comemoração do 1º de maio – dia do trabalho. E a celebração de tantos outros momentos festivos eram provas do dinamismo e envolvimento do Padre Guedes junto ao povo que tão bem conduzia espiritualmente.

Revivo com certa nostalgia as festas do Santo Cruzeiro. Quanta saudade daquela época. Aguardava ansioso quando, no dia 14 de setembro, antes da procissão solene do Cristo Crucificado, a radiadora do parque de diversões anunciava que o Padre Guedes autorizava todas as crianças a brincarem de graça em todos os brinquedos. Era uma euforia só por parte da meninada. A banda de música do corpo de bombeiros alegrava todo o novenário, tocando modinhas e canções que até hoje guardo na memória e que me tornaram um ser saudosista, um entusiasta pela cultura. As serestas reuniam as famílias na frente da casa paroquial e a atração da noite sempre era o Padre Guedes, que soltava sua voz entoando canções de todos os gêneros. Relembro todos esses acontecimentos para comprovar o quanto uma pessoa foi capaz de influenciar a formação de tantas crianças, jovens e adultos.

Agora nos encontramos em pleno domingo, dia dedicado ao Senhor. Cedo acordo para me aprontar. Não posso perder a Santa Missa das 8h da manhã – missa dedicada as crianças. Tudo preparado com zelo pelas catequistas e pela Tia Nilia que coordenava um grupo de crianças, do qual eu fazia parte, para dramatizar pequenas histórias que apresentavam a mensagem central do evangelho. O abraço da paz era a parte da missa mais aguardada. Todos corríamos para sermos saudados pelo Padre Guedes no altar e sempre recebíamos um puxão de orelha, ou um tapinha nas costas e saiamos dali irradiantes por termos sido acolhidos por nosso pastor. E a jiboia me falou que tá com fome, tá com fome, faz um ano que não come. E o trenzinho subiu a serra foi parar lá na estação eram canções do disco intitulado Terra do Contrário, do Padre Zezinho, que embalavam nossos domingos e nos animava indicando que a missa estava prestes a terminar.

Padre Guedes era temido pela população, pois sua forma de agir demonstrava o quanto tinha autoridade. Quantas brigas ele apartou na Praça do Santo Cruzeiro – quando via algum movimento estranho deixava o seu aconchego e resolvia o conflito utilizando-se de um cinto. Sempre teve prestigio junto as autoridades municipais e estaduais, o que dava a ele garantia de acolher e ajudar os mais necessitados, principalmente nos períodos em que grandes secas assolaram o nosso estado.

São muitas histórias que povoam nossa mente. Momentos tão bem vividos ao lado desse nobre Pastor. Poderia escrever diversas laudas, mas o tempo não me permite. Parabéns Padre Guedes, pelos seus 40 anos de sacerdócio – um compromisso firmado com Cristo. Essa é uma pequena homenagem, um revisitar memórias, daqueles cujo olhares se entrecruzam e com o senhor estabeleceram um notável caso de amor respaldado pelos ensinamentos evangélicos tão bem colocados em cada homilia proferida. Somos gratos a Deus por ter nos dado a oportunidade de conviver tão de perto com um sacerdote como o senhor. A paroquia Jesus, Maria e José, de Guaiúba – onde selastes um dos mais importantes relacionamento de amor com a tua igreja – é grata por todos os ensinamentos recebidos. 

 

ANTÔNIO CARLOS SALES PAIVA

 

 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

ANÚNCIO PUBLICITÁRIO

PROPOSTA DE ATIVIDADE

 A cada dia,  nossas florestas estão sendo devastadas e, com elas, a vida animal e vegetal está desaparecendo. O anúncio publicitário a seguir, veiculado no ano 2000, alerta para o problema do desmatamento e pede ajuda para mudar essa realidade. 

 

CONVERSANDO SOBRE O TEXTO

01. Leia o questionamento apresentado no anúncio do WWF Brasil, que também funciona como título dele

É este o planeta que você está construindo para os seus filhos?

a) Qual é a finalidade desse questionamento?

b) Além do questionamento, o anúncio apresenta uma imagem. Qual é a importância dessa imagem na composição do anúncio?

02. Você leu algumas informações sobre o WWF Brasil. Você conhece ou já ouviu falar de outra organização de preservação do meio ambiente? Qual? Comente. 

 

ESCREVENDO SOBRE O TEXTO

 

01. Para comunicar ao leitor ideias e informações, um anúncio publicitário é constituído de linguagem verbal (palavras) e linguagem não verbal (imagens).

a) Observem a imagem do anúncio e explique com suas palavras o que está acontecendo com a floresta.

b) A ampulheta é um objeto usado para marcar a passagem do tempo. Explique a relação desse objeto com as imagens que aparecem dentro dele e a mensagem transmitida

 
02. O anúncio publicitário é um gênero textual que tem como finalidade divulgar um produto, promover uma ideia, um serviço, uma empresa ou uma instituição. Observe novamente o anúncio anterior.

a) Qual é a ideia defendida nele?

b) Quem é o anunciante? Quais elementos ajudam a identificá-lo?

03. A logomarca é a representação gráfica da marca. Observe a logomarca do WWF e explique qual é a importância desse elemento em um anúncio.

04. Em qual meio de comunicação o anúncio lido foi publicado? Em que outros meios de comunicação, geralmente, os anúncios publicitários circulam

05. Um dos elementos mais importantes na produção de um anúncio publicitário é saber qual é o seu público-alvo, pois é a partir dessa informação que são elaboradas as estratégias para despertar o interesse do interlocutor.

a) Em sua opinião, qual é o público-alvo do anúncio, ou seja, a quem ele se dirige? Justifique.

06. Existem diferentes tipos de anúncio publicitário, entre eles o institucional e o comercial. O anúncio institucional geralmente tem finalidade social e/ou ambiental, sem fins lucrativos, e promove uma instituição. O anúncio comercial tem como objetivo vender um produto, divulgar um evento, com finalidade de obter lucros. Observe o anúncio a seguir e compare-o com o primeiro anúncio.

 


 

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

COMPREENSÃO TEXTUAL - TEXTO: O PADEIRO, DE RUBEM BRAGA

CRÔNICA: O PADEIRO, DE RUBEM BRAGA

Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é o lockout, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo. 

Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

- Não é ninguém, é o padeiro!

- Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?

“Então você não é ninguém?”

Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era: e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém...

Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes saía levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.

Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”.

E assobiava pelas escadas.

ATIVIDADE

VOCABULÁRIO

01. Relacione.

(1) humildade

(2) mágoa

(3) exemplares

(4) julgava

(5) crônica ou artigo

 

(__) Comprei dois números do Jornal do Brasil.

(__) Não gosto de guardar amargura em meu coração.

(__) José se considerava o tal! 

(__) Gostei do texto que você escreveu, publicado na edição de domingo no jornal. 

(__) A modéstia de Roberto impressionou a todos.

TROCANDO IDEIAS ORALMENTE

01. As pessoas devem ser valorizadas, independentemente da atividade ou profissão que exercem?

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02. Você acha que existe trabalho mais importante e trabalho menos importante?

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03. Pense em tudo o que você utiliza no seu dia-a-dia e que não é feito nem produzido por você. Agora comente o valor do trabalho de cada uma dessas pessoas anônimas, que indiretamente contribuem para o seu conforto e bem-estar.

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COMPREENSÃO DO TEXTO

01. O que o padeiro fazia quando deixava o pão à porta do apartamento, para não incomodar os moradores?

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02. De acordo com o texto, “não é ninguém” significa que aquela pessoa

(__) não existe.

(__) cumpre uma rotina diária e não é necessário abrir a porta para ela.

(__) não é importante para o morador do apartamento.

03. Por que o escritor se achava importante quando levava o jornal bem cedo para casa?

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04. Escreva com suas palavras qual foi a lição que o escritor aprendeu com o padeiro.

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05. O cronista diz que sua profissão tem semelhanças com a de padeiro. Quais são elas?

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06. Segundo o texto, o padeiro gostava de sua profissão? Como você chegou a essa conclusão?

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07. Para você, o padeiro é “ninguém”? Explique.

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 08. O que significa as palavras abluções e lockout?

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 09. O que seria a “greve do pão dormido”?

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10. Que situações enfrentadas pelo padeiro o levavam a crer que de fato ele não era ninguém?

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 11. Em que foco narrativo o texto foi escrito?

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